Um grupo de cientistas da Universidade de Sussex, na Inglaterra, desenvolveram uma espécie de tela em 3D que consegue projetar simultaneamente áudio, vídeo e até mesmo a sensação de toque. O cinema já tem mostrado este tipo de tecnologia há um bom tempo, como em Star Wars: Uma Nova Esperança (1977), quando a Princesa Leia envia um pedido de ajuda a Ben Kenobi. Porém, a tecnologia ganhou ainda mais popularidade com o filme Homem de Ferro (2008).

O projeto foi iniciado por uma equipe de cientistas da Universidade de Navarra, na Espanha, chefiada por Asier Marzo, que criou uma primeira técnica para tentar adicionar som às atuais reproduções em 3D. Esta técnica consiste na projeção de luz sobre uma pequena bolinha de plástico, que se move rapidamente em um espaço do tamanho de uma xícara de café. Essa bolinha é movimentada pelos cientistas através de ondas ultra-sônicas.

Assim como as ondas sonoras, essas ondas também comprimem e descomprimem o ar ao redor delas durante a transmissão, criando regiões de baixa e de alta pressão. Então, quando diversas ondas de ultra-som convergem para o mesmo ponto, elas criam uma espécie de “armadilha” de baixa pressão que “prende” a bolinha e a deixa suspensa no ar.

Assim, com o uso de diversos alto-falantes controlados por computador ao redor dessa “bolinha”, os cientistas conseguem fazer com que ela continue se movimentando a velocidades de 9m/s (cerca de 32 km/h). Então, com o uso de diodos de luz vermelha, verde e azul, os especialistas emitem luminosidade nesse sistema, de modo que os únicos feixes de luz que são vistos pelo olho humano são aqueles que refletem na “bolinha”. E, como todo esse processo ocorre numa velocidade maior do que o olho humano consegue perceber, passa-se a impressão de que há uma imagem 3D em movimento.

Esse experimento foi publicado em agosto na Applied Physics Letters, e foi a base para o trabalho da equipe de Sriram Subramanian em Sussex. Ao invés dos 60 alto-falantes usados no experimento de Marzo, a equipe de Subramanian utilizou 512 falantes, agrupados em torno da “bolinha”, que tinha um espaço do tamanho de uma torradeira para se movimentar. Esse sistema consegue fazer com que a bolinha se movimente dez vezes mais rápido do que no experimento original, o que tornava a taxa de atualização da imagem muito mais rápida, e permite a transmissão de imagens mais complexas em movimento, como uma transmissão do movimento de rotação da Terra ou de borboletas voando.

Além disso, os cientistas também modificaram o tipo de ultrassom usado para manter a “bolinha” em movimento, permitindo que os falantes emitissem também frequências sonoras que poderiam ser reconhecidas pelo ouvido humano. Eles também usaram uma ideia parecida para dar a sensação de toque para o holograma: quando um sensor infravermelho detecta que há uma mão se aproximando da imagem, ele envia um sinal para que várias ondas sonoras convirjam naquele exato local, criando uma maior pressão no ar que pode ser sentida na pele humana, dando assim a sensação de toque para a transmissão.

Esse tipo de tecnologia pode ser usada em diversos segmentos, desde permitir que médicos tenham uma visão 3D em tempo real de tumores dentro do corpo de uma pessoa, até a criação de ferramentas que fornecem mapas 3D de bases inimigas para soldados, igual ao que hoje só existe em videogames. E, de acordo com Marzo, esse rápido progresso na melhoria da tecnologia deve continuar se repetindo e, em poucos anos, já poderemos ter transmissões holográficas de humanos iguais às vistas nos filmes de ficção científica.


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