O Brasil deve produzir 251,904 milhões de toneladas de grãos na safra 2019/2020, segundo a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta terça-feira (10). Os novos números revisam para cima a estimativa feita no mês passado, que apontava 251,118 milhões, e representa um crescimento de 4,1%, ou 9,9 milhões de toneladas, em relação à temporada passada (241,991 milhões).

De acordo com a Companhia, de um modo geral, as lavouras do Brasil foram beneficiadas pelas boas condições climáticas nas principais regiões produtoras. A situação vem favorecendo ganhos de produtividade, o que, na avaliação dos técnicos, deve conduzir a uma nova produção recorde no país.

Em meio a este cenário, a estimativa para a produção de soja foi elevada de 123,249 milhões para 124,205 milhões de toneladas, um aumento de 8% em comparação com a safra 2018/2019, estimada em 115,029 milhões. Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelos produtores no início do calendário de plantio. Segundo a versão resumida do relatório, publicada no site oficial da Conab:

Um recorde na série histórica, sobretudo pelas melhores condições climáticas nesta safra, que apresentou um começo difícil, com a semeadura ocorrendo de maneira desuniforme em diversos estados produtores em virtude do atraso das chuvas.

Na região do Matopiba, diz a Conab, as condições não foram boas no início, com replantio em algumas áreas. Mas a fase de desenvolvimento encontrou clima favorável. Diferente da região Sul. Especialmente no Rio Grande do Sul, onde a estiagem e as altas temperaturas afetaram o desenvolvimento das lavouras e provocaram perdas de produtividade.

Uma situação que pesou também na estimativa para a colheita de milho de verão, que caiu de 26,058 milhões para 25,560 milhões de toneladas e puxou para baixo também o número total, de 100,485 milhões para 100,083 milhões de toneladas, somando os três ciclos anuais para a cultura. A Conab revisou a segunda safra de 73,271 milhões para 73,366 milhões de toneladas e manteve a terceira em 1,156 milhão de toneladas.

Problemas climáticos na Região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, prejudicaram o potencial produtivo das lavouras. Enquanto isso, ainda há áreas sendo semeadas no Matopiba, mesmo com substituição de lavouras de soja por milho. A segunda safra de milho tem a semeadura acontecendo de acordo com o avanço da colheita da soja. Mato Grosso, principal estado produtor, é o mais adiantado no plantio.

A safra de algodão foi ajustada para cima pelos técnicos. Na avaliação da Companhia, a produção de caroço deve ser de 4,278 milhões de toneladas e a de pluma, de 2,853 milhões. Os números representam um crescimento de 2,7% em comparação com a temporada 2018/2019. O volume estimado de pluma é o maior da série histórica, informa o relatório, impulsionado, principalmente, pelos investimentos em Mato Grosso, maior produtor nacional.

A Conab elevou sua estimativa também para a safra de arroz, de 10,510 milhões para 10,524 milhões de toneladas na safra 2019/2020, somando as lavouras irrigadas e de sequeiro. Ainda assim, a produção deve permanecer praticamente estável (+0,8%) em relação à temporada passada (10,445 milhões de toneladas).

A área cultivada com arroz vem diminuindo, sobretudo em áreas de sequeiro. Apesar da redução nos últimos anos, a maior proporção do plantio em áreas irrigadas, que geram maiores produtividades, e o contínuo investimento do rizicultor em tecnologias, vêm permitindo a manutenção da produção, ajustada ao consumo nacional.

Outra estimativa elevada pelos técnicos foi a da produção de feijão, que passou de 3,058 milhões para 3,140 milhões de toneladas, somados os três ciclos anuais para a cultura. A primeira safra deve totalizar 1,049 milhão de toneladas, a segunda 1,357 milhão e a terceira 733,8 mil toneladas.

Culturas de inverno

A Conab projeta que as culturas de inverno devem somar em 2020 uma colheita de 6,723 milhões de toneladas, aumento de 3,5% em comparação com a de 2019, estimada em 6,496 milhões. O cálculo considera aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale. Na principal dessas culturas, a de trigo, a projeção é de uma colheita de 5,346 milhões de toneladas.

A área total plantada com grãos no Brasil é estimada pela Companhia em 64,778 milhões de hectares, aumento de 2,4% em comparação com a safra 2018/2019 (63,262 milhões de hectares).